Por Wendell Finotti - 22/04/2014

A importância das pequenas vitórias na reestruturação financeira

Não conheço ninguém que acorde de manhã desejando ser derrotado. Todo mundo, do mais humilde funcionário aos sócios/acionistas de uma empresa, almejam sempre a vitória esmagadora, o cumprimento cabal do orçamento e, de preferência, com surpresas positivas tais como o faturamento superior ao projetado e a margem melhor do que a projetada.

É excelente quando há uma cultura de convergência em cima de metas que faça toda a empresa se envolver nesse clima de expectativa e euforia em torno dos resultados financeiros da empresa. Nem poderia ser diferente. A espiral positiva do crescimento faz com que haja a mobilidade da hierarquia, a ampliação de postos de trabalho, a repartição do lucro dos sócios com os colaboradores que atingiram suas metas, etc.

Em empresas que estão passando por momentos turbulentos, com dificuldades financeiras que levam a atrasos nos pagamentos de fornecedores, parceiros e trabalhadores, retomar a confiança da equipe na viabilidade do negócio é ainda mais importante.

Entretando a visão de vitória muda. É necessário estabelecer pequenas metas a serem conquistadas antes de retomar a euforia do orçamento. É vital mostrar à equipe que após o período de dificuldades, após implantadas ações impopulares pela direção da empresa tais como demissões, redução ou extinção de benefícios, cortes de despesas essenciais, fechamento de unidades, venda ou extinção de negócios pouco rentáveis, etc., a normalidade está retornando à empresa.

A meta de curto prazo deverá ser, por exemplo, voltar a pagar a integralidade dos salários ou o pagamento do salário em dia. Essa é uma vitória que, num caso de normalidade, passa despercebido para a equipe a dificuldade que um empresário possui para fazer frente às obrigações trabalhistas assumidas com cada funcionário no momento de sua contratação.

Todas as atividades que qualquer funcionário estiver fazendo naquele momento tem que estar focada em atingir essas metas de curto prazo, por mais importante que seja a estratégia de longo prazo é o instinto de sobrevivência que deverá estar ativo. Se a atividade que está sendo executada não está relacionada às metas de curto prazo, não deveria estar sendo executada.

O primeiro mês em que a empresa em dificuldade financeira consegue atingir seu ponto de equilíbrio é importantíssimo e deveria ser comemorado por todos como se fosse o atingimento da meta anual pelas empresas em situação de normalidade e crescimento.

Costumo comparar uma empresa em crise financeira com um avião em queda. Imagine a força, a habilidade e o foco que o piloto precisa ter para estabilizar a aeronave. Naquele momento ele não pensa em atingir altitude de cruzeiro nem de chegar no destino estabelecido. Está em jogo a sobrevivência. Sua prioridade é parar a queda. Estabilizar.

Essa também deve ser a atitude da equipe de gestores em uma empresa em dificuldade financeira. O objetivo primordial é mantê-la viva. É estabilizá-la. Deixar de cair é a primeira vitória.

As pequenas vitórias mostram que as ações adotadas estão na direção correta e que o processo de recuperação deve continuar sendo implementado.

Então celebre, compartilhe com a equipe. Mostre que o sacrifício não está sendo em vão. Que conseguirão voltar a voar em altitude de cruzeiro, que a empresa está sendo estabilizada.

Essa atitude resgata a confiança, motiva a todos os envolvidos a acelerar as ações que estão contribuindo para essa guinada.

 

Bons negócios e conte conosco.

 

Wendell Finotti

Sócio Diretor

 

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